Em cada gota do seu sangue havia alma bastante para fazer um herói; mas com essa alma forte, que doçura divina se misturava!
A união profunda do heroísmo e do amor, da vontade e da inteligência, do eterno Masculino com o Eterno Feminino, fazem dele a flor do ideal humano. Toda a sua moral, cuja palavra última é o amor fraternal sem limites, a liança universal humana deriva naturalmente desta grande individualidade.
O trabalho dos dezoito séculos decorridos após a sua morte teve por resultado o fazer penetrar esse ideal na consciência de todos, porque não há homem no mundo civilizado que dela não possua uma noção mais ou menos clara. Pode-se, pois, afirmar que o templo moral ambicionado por Cristo não está concluído, mas fundado sobre bases indestrutíveis na humanidade atual.
Não sucede outro tanto com o templo social. Este supõe o estabelecimento do reino de Deus ou da lei providencial nas instituições orgânicas da humanidade, e, por isso, falta inteiramente contruí-lo porque a humanidade vive ainda num estado de guerra, sob a lei da força e do destino. A lei de Cristo que reina na consciência moral, não passou ainda às instituições. Só incidentemente me referi às questões de organização social e política, neste livro destinado a esclarecer a questão filosófica e religiosa, por algumas das essenciais verdades esotéricas e pela vida dos grandes iniciados. Não será portanto agora, que estou a concluir que me ocuparei mais largamente delas, tanto que sendo mais matéria muito vasta e complexa, ela escapa tanto a minha competência que nem sequer ensaio a defini-la em algumas linhas. Apenas direi isso. A guerra social existe como princípio em todos países europeus, porque não há princípios econômicos, sociais e religiosos que sejam admitidos por todas as classes da sociedade. Igualmente, as nações europeias não têm cessado de viver entre si em estado de guerra, aberta ou de paz armada, porque nenhum princípio federativo comum as liga legalmente. Os seus interesses e suas aspirações comuns não têm recurso para nenhuma autoridade reconhecida, nem encontram sanção em nenhum tribunal supremo.
Se a lei de Cristo penetrou nas consciências individuais e até uma certa medida na vida social, é ainda a lei pagã e bárbara que governa as nossas instituições políticas.
Atualmente o poder político é constituído em toda parte sobre bases insuficientes, porque por uma parte emana do pretendido direito divino dos reis, que não é outro, senão a força militar, e por outra, do sufrágio universal, que não passa do instinto das massas ou da inteligência não selecionada.
Uma nação não é um número de valores indistintos ou de cifras adicionadas. É antes um ser vivo composto de órgãos. enquanto a representação nacional não for a imagem deste organismo, desde as suas classes laboriosas até as suas classes educadoras, não haverá representação nacional orgânica e inteligente.
Enquanto os delegados de todos os corpos científicos e de todas as igrejas cristãs não se reunirem num conselho superior, as nossa sociedades serão governadas pelo instinto, pela paixão e pela força e não haverá o templo social.
Do que provém, pois, que acima da Igreja, muito pequena para o conter inteiramente, da Política que o nega, e da Ciência que ainda o não compreende senão a meias, estar Cristo hoje mais vivo do que nunca?
Da sua moral sublime ser o corolário de uma ciência ainda mais sublime. De a humanidade só agora começar a pressentir o alcance da sua obra, a grandeza da sua promessa. De por detrás dele nós vermos ao lado e para além de Moisés toda antiga teosofia dos iniciados da Índia, do Egito e da Grécia, da qual ele é a confirmação fulgurante.
Nós começamos a compreender que Jesus tinha uma consciência muito mais elevada do seu papel; que o Cristo transfigurado abre seus braços amorosos a seus irmãos, aos outros messias que o precederam e que como ele foram raios do verbo vivo que os abre inteiramente à Ciência integral, à Arte Divina e a Vida completa. Porém a sua promessa não pode cumprir-se sem o concurso de todas as forças vivas da humanidade.
extraído do livro "Jesus" - volume da Série Grandes Iniciados, escrito por Édouard Schuré.
Estou lendo a publicação da Martin Claret de 1987
Schuré escreveu Jesus em 1889.
Foto: Yeshua- pintei em 2000
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Carta/Manifesto do Dr. Carlos França para a Presidente Dilma e o Ministro Padilha
Sr Padilha e Sra Dilma, esta é a minha unidade de saúde UBS Itaipuaçu - Maricá-RJ, há 6 anos governada pelo seu partido.
É uma casa adaptada com infiltrações e mofo.
Quando chove, cai água nas salas de atendimento, o arquivo médico inunda e os prontuários....
Falta de tudo, luvas, remédios básicos, mas sobra dedicação para um salário bruto de R$ 1.200,00.
Sabe Padilha/Dilma,
Sabe Padilha/Dilma,
Não faltam médicos que queiram fazer saúde pública, Isto é mais uma das mentiras de sua ditadura da informação, onde o governo se apoia na premissa "UMA MENTIRA REPETIDA MIL VEZES TORNA-SE VERDADE".
A minha sala de atendimento não possui ventilador, o de teto é apenas enfeite. O verão nas regiões litorâneas beira os 42 graus, a água potável é disponibilizada à temperatura ambiente. A cidade de Itaipuaçu - do seu governo - não possui rede de água e esgoto.
Já prescrevi as medicações em qualquer tipo de papel por falta de receituário oficial.
Apesar de tudo, trabalho e me esforço bastante.
Em Maricá a saúde foi devastada pelo atual governo, o aparelho de RX está quebrado há 1 ano.
O ecocardiograma e ultra-som foram roubados (SIC Gestor Público),
ECG funciona 1 mês e fica 3-4 meses em manutenção.
Há 8 meses temos a debandada de especialistas, devido ao salário irrisório sem benefícios legais (férias, décimo-terceiro salário, horas extras, insalubridade, etc). Perdemos o endocrinologista, o cardiologista, o reumatologista, o oftalmologista, o neurologista, o nefrologista, o pneumologista, e o ortopedista, etc.
Então, Padilha/Dilma, a saúde pública que os Srs. querem oferecer à população mais humilde é esta?
As suas mentiras não vão conseguir se sustentar por tanto tempo mais...
"Não faltam médicos!
"Não faltam médicos!
Falta governo!"
Sou médico do SUS, não fujo a luta...
Mas não faço milagres sem infra-estrutura."
Sou médico do SUS, não fujo a luta...
Mas não faço milagres sem infra-estrutura."
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Carta/Manifesto do Dr. Simon Píres, para a Presidente do Brasil
"Oito anos é atualmente o tempo máximo de mandato de presidente da república,não é ?
Dr. Milton Simon Pires"
Trecho da carta de um médico portoalegrense para a Presidente Dilma, publico como recebi, vem datada de 08 de julho deste ano.
Charge, da NET
Oito anos, presidente, se não estou enganado, é também o tempo limite para que uma pena de prisão em regime fechado possa ser convertida em semiaberto (apreendi isso assistindo na TV o julgamento de alguns conhecidos seus na Ação Penal 470) e por aí vai...
Enfim, presidente, oito é um número aplicável a tantas coisas... rss ...
Na China se costuma dizer que oito é o número da sorte. Mas hoje vai ser do seu azar. Explico-lhe brevemente o porquê:
Hoje à tarde, li perplexo na internet as notícias que dão conta do lançamento do seu Programa “Mais Médicos”.
Hoje à tarde, li perplexo na internet as notícias que dão conta do lançamento do seu Programa “Mais Médicos”.
Não vou aqui gastar seu tempo detalhando um por um os aspectos dele. Nosso tema aqui, presidente, é bem específico – nós vamos falar do aumento do tempo da formação médica de seis para oito anos obrigando-nos a prestar dois anos de serviço no SUS antes de receber reconhecimento oficial como médicos.Presidente Dilma, a senhora sabe o que são “doutorandos” e médicos “residentes”?
Não sabe, né?
Lá vai a explicação – doutorandos são, normalmente, estudantes no ultimo dos seis anos da tradicional formação médica que a senhora e os gênios que lhe assessoram querem mudar.
Médicos residentes já se formaram – tem responsabilidade legal e, trabalhando sob supervisão de colegas mais experientes, fazem uma determinada especialização.
A senhora sabe o que eles tem em comum, presidente?
Eu lhe respondo – eles “carregam nas costas os hospitais universitários brasileiros”.
Eles, para sua informação, já trabalham, na sua gigantesca maioria, em hospitais públicos ou vinculados ao seu maravilhoso Sistema Único de Saúde!
São eles que atendem a gigantesca massa daqueles que a senhora e seus correligionários do Partido-Religião chamam de “usuários” e nós chamamos de pacientes.
Enquanto eles estão dentro de hospitais públicos com teto e paredes desmoronando nos ambulatórios, enfermarias e blocos cirúrgicos, a senhora e o Lula são atendidos por outros médicos dentro, por exemplo, do Hospital Sírio Libanês!
Alguns desses colegas que atendem a senhora e nosso ex-presidente deveriam estar junto com os doutorandos e residentes supervisionando a sua
formação como médicos e especialistas. A senhora sabia disso, presidente??
Mas, por favor, não quero lhe constranger... Vamos dizer que essa sua medida desesperada para se reeleger seja realmente implantada...
formação como médicos e especialistas. A senhora sabia disso, presidente??
Mas, por favor, não quero lhe constranger... Vamos dizer que essa sua medida desesperada para se reeleger seja realmente implantada...
Gostaria de tirar com a senhora algumas duvidas: tem a senhora a noção de que a rede hospitalar brasileira inteira está completamente sucateada, presidente?
Sabe por quê ?
Porque malditos colegas meus e seus ajudaram a transformar um país que tem quase o tamanho da China num gigantesco posto de saúde!
Diga de uma vez por todas isso ao povo, presidente Dilma. Mesmo que a senhora “derrame” 12.000 médicos dentro do SUS de uma hora para outra eu lhe pergunto – Onde e em que condições eles vão trabalhar???
Dentro dos famosos pronto-atendimentos?
A senhora sabe o que é um pronto-atendimento, presidente? Eu lhe explico – é um lugar onde se atende tudo aquilo que não é suficientemente grave e deveria estar num posto de saúde ou é tão sério que deveria estar dentro de uma emergência de verdade!
Sabe por que esse tipo de imundície foi inventado?
Para esconder que não existem mais hospitais nesse maldito país.
Seu antecessor, que nos anos 70 perdeu esposa e filho num hospital público preferiu emprestar dinheiro para Cuba, perdoar a dívida da Bolívia e comprar deputados no Congresso nacional em vez de construir hospitais !
Nas últimas duas semanas, presidente, a senhora propôs ao povo brasileiro um plebiscito, depois um referendo e agora – sempre maravilhosamente assessorada – vem com um absurdo que nem mesmo a ditadura militar quis impor: estender o tempo de formação dos médicos brasileiros por razões ligadas ao fracasso do plano de poder do PT.
Presidente, cada vez que lhe escrevo fico divido. Não sei se expresso a indignação de quase 400.000 médicos brasileiros ou se fico com pena da senhora. Até quando vai esse seu desgoverno? Até onde a senhora acha que pode enganar tanta gente durante tanto tempo?
Afaste-se imediatamente dessa corja de colegas MEUS que lhe assessora, que esqueceram que são médicos, e que depois de formados jamais atenderam ninguém no sistema público.
Nas últimas duas semanas, presidente, a senhora propôs ao povo brasileiro um plebiscito, depois um referendo e agora – sempre maravilhosamente assessorada – vem com um absurdo que nem mesmo a ditadura militar quis impor: estender o tempo de formação dos médicos brasileiros por razões ligadas ao fracasso do plano de poder do PT.
Presidente, cada vez que lhe escrevo fico divido. Não sei se expresso a indignação de quase 400.000 médicos brasileiros ou se fico com pena da senhora. Até quando vai esse seu desgoverno? Até onde a senhora acha que pode enganar tanta gente durante tanto tempo?
Afaste-se imediatamente dessa corja de colegas MEUS que lhe assessora, que esqueceram que são médicos, e que depois de formados jamais atenderam ninguém no sistema público.
Se a senhora não fizer isso, vai apreender de uma maneira dolorosa que políticos podem ter partido..podem ser liberais ou democratas, progressistas ou conservadores..podem até ser ditadores... mas jamais vão ter poder suficiente para aliviar a dor ou evitar a morte.
Essa função é nossa e, dia após dia, cada vez mais a senhora vem nos impedindo de exercê-la.
Dr. Milton Simon Pires"
Trecho da carta de um médico portoalegrense para a Presidente Dilma, publico como recebi, vem datada de 08 de julho deste ano.
Charge, da NET
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Triângulo - Ken Follet - livro essencial para estes dias
O coronel Rostow, da KGB, para aliviar a tensão entre ele e o agente egípcio, Hassan, narra a seguinte piada russa:
"Brejnev estava dizendo à sua velha mãe como subira na vida.
"Brejnev estava dizendo à sua velha mãe como subira na vida.
Mostrou seu apartamento, imenso, com móveis ocidentais, máquina de lavar louça, freezer, criados, tudo, emfim.
Ela não disse uma só palavra. Brejnev levou-a para sua dacha no mar Negro, imensa, com piscina, praia particular, mais criados. Mesmo assim, a mãe continuou a não se impressionar. Brejnev levou-a apar sua cabana de caça, em sua limusine Zil, mostrou os deslumbrantes campos de caça, as armas, os cães. E finalmente disse:
-Mãe, mãe, porque não fala nada? Não está orgulhosa de seu filho?
Ao que ela disse:
Tudo isso é maravilhoso, Leonid. Mas o que você vai fazer se os comunistas voltarem?"
Extraído do livro Triângulo, de Kenn Follet.
Triângulo foi lançado no Brasil em 1984. No romance eletrizante, o autor pinta um cenário situado durante a competição de vida ou morte entre agentes secretos israelenses e egípcios para a aquisição do urânio necessário para a construção da primeira bomba atômica de ambos os países.
A trama concebida por Follet, estrutura-se dando ênfase a participação ativa da agência russa KGB, que estimula e manipula entranhada nos bastidores das escaramuças da competição entre os países rivais.
Foto: Selo comemorativo, da NET
terça-feira, 2 de julho de 2013
Carta /Manifesto do Médico Miguel Srougui, a Presidente do Brasil
"Como cidadão, fiquei deslumbrado com o clamor que varre a nação.
Como médico, e ligado à saúde, mergulhei em esperanças.
Contudo, com a mesma velocidade que esse sentimento aflorou, fui tomado por uma angústia incontida ao observar as manifestações oficiais.
Anunciou-se solenemente que seriam importados milhares de médicos estrangeiros e injetados R$ 7 bilhões em hospitais e unidades de saúde.
Também se propôs a troca de R$ 4,8 bilhões de dívidas dos hospitais filantrópicos por atendimento médico e foi anunciada a criação de 11.400 vagas de graduação em escolas médicas.
Perplexo, gostaria de dizer que essas propostas são tão surrealistas que não podem ter sido idealizadas por autoridades sérias, mas sim por marqueteiros afeitos à empulhação.
Piores do que os depredadores soltos pelas ruas, já que destroem vidas humanas.
A medicina exercida condignamente pressupõe equipes qualificadas, não apenas com médicos, mas também com enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.
Exige instalações minimamente equipadas, para permitir diagnósticos e tratamentos mais simples.
Necessita do apoio de farmácias, capazes de prover sem ônus para os necessitados, as medicações essenciais.
Requer processos de higiene, assepsia e certo conforto, para dar segurança e respeitar a dignidade humana dos pacientes.
O que farão os médicos estrangeiros nas áreas remotas do Brasil apenas com termômetros e estetoscópios nas mãos?
Irão receitar analgésicos, antidiarreicos e remédios para tosse, o que poderia ser mais bem executado por qualquer prático de farmácia, também afeito às doenças regionais.
Médicos, que nos casos mais delicados nem atestado de óbito poderão assinar, pois não conseguirão identificar a causa da infelicidade.
Pior ainda, como esses médicos conseguirão atuar limitados pela dificuldade de comunicação, desqualificados para tratar doenças já erradicadas em países sérios, frustrados por viverem em regiões destituídas de condições mais dignas de existência para eles próprios, suas mulheres e seus filhos? Certamente tratarão de migrar para centros mais prósperos, abandonando aqueles que nunca conseguirão expressar a desilusão.
Não custa lembrar que muitos países desenvolvidos aceitam médicos estrangeiros, contudo nenhum deles atua sem ser aprovado em exames extremamente rigorosos, que atestam a elevada competência profissional.
Igualmente falaciosa é a proposta de incrementar os recursos para a saúde. Num país como o Brasil, que gasta apenas 8,7% do seu Orçamento em saúde --muito menos que a Argentina (20,4%) e Colômbia (18,2%)-- somente mal-intencionados poderão acreditar que um aporte de recursos de 0,7% corrigirá a indecência nacional.
Também enganadora é a ideia de se recorrer às instituições filantrópicas.
Em situação falimentar, deixam de pagar tributos porque não recebem do governo federal os valores justos pelo trabalho.
Pelo mesmo motivo, serão incapazes de aumentar o já precário atendimento.
Quanto à criação de novas vagas para alunos de medicina, nada mais irrealista.
Para acomodar os números apresentados, o governo teria que criar entre 120 e 150 escolas médicas.
Com que recursos?
Com que professores?
Com que hospitais?
Presidente, termino pedindo desculpas pela minha insolência. Você, que é digna e tem história, não pode tergiversar perante o clamor de tantos filhos da nação.
Faça ouvidos moucos ao embuste e combata de forma sincera os malfeitos.
Assuma, de forma sincera e não dissimulada, a determinação política de priorizar os recursos para as áreas sociais.
Para não ser tomada por angústia infinita ao cruzar com a multidão, entoando com indignação o canto de Chico Buarque:
"Você que inventou a tristeza/
Ora, tenha a fineza/
De desinventar/
Você vai pagar e é em dobro/
Cada lágrima rolada/
Nesse meu penar".
Este importante manifesto é de autoria do Dr. MIGUEL SROUGI, 66 anos, pós-graduado em urologia pela Universidade de Harvard, é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USPe presidente do conselho do
Instituto Criança é Vida
Foto: fiz durante o protesto que saiu da Sé, foi até a Prefeitura e depois à Avenida Paulista
Como médico, e ligado à saúde, mergulhei em esperanças.
Contudo, com a mesma velocidade que esse sentimento aflorou, fui tomado por uma angústia incontida ao observar as manifestações oficiais.
Anunciou-se solenemente que seriam importados milhares de médicos estrangeiros e injetados R$ 7 bilhões em hospitais e unidades de saúde.
Também se propôs a troca de R$ 4,8 bilhões de dívidas dos hospitais filantrópicos por atendimento médico e foi anunciada a criação de 11.400 vagas de graduação em escolas médicas.
Perplexo, gostaria de dizer que essas propostas são tão surrealistas que não podem ter sido idealizadas por autoridades sérias, mas sim por marqueteiros afeitos à empulhação.
Piores do que os depredadores soltos pelas ruas, já que destroem vidas humanas.
A medicina exercida condignamente pressupõe equipes qualificadas, não apenas com médicos, mas também com enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.
Exige instalações minimamente equipadas, para permitir diagnósticos e tratamentos mais simples.
Necessita do apoio de farmácias, capazes de prover sem ônus para os necessitados, as medicações essenciais.
Requer processos de higiene, assepsia e certo conforto, para dar segurança e respeitar a dignidade humana dos pacientes.
O que farão os médicos estrangeiros nas áreas remotas do Brasil apenas com termômetros e estetoscópios nas mãos?
Irão receitar analgésicos, antidiarreicos e remédios para tosse, o que poderia ser mais bem executado por qualquer prático de farmácia, também afeito às doenças regionais.
Médicos, que nos casos mais delicados nem atestado de óbito poderão assinar, pois não conseguirão identificar a causa da infelicidade.
Pior ainda, como esses médicos conseguirão atuar limitados pela dificuldade de comunicação, desqualificados para tratar doenças já erradicadas em países sérios, frustrados por viverem em regiões destituídas de condições mais dignas de existência para eles próprios, suas mulheres e seus filhos? Certamente tratarão de migrar para centros mais prósperos, abandonando aqueles que nunca conseguirão expressar a desilusão.
Não custa lembrar que muitos países desenvolvidos aceitam médicos estrangeiros, contudo nenhum deles atua sem ser aprovado em exames extremamente rigorosos, que atestam a elevada competência profissional.
Igualmente falaciosa é a proposta de incrementar os recursos para a saúde. Num país como o Brasil, que gasta apenas 8,7% do seu Orçamento em saúde --muito menos que a Argentina (20,4%) e Colômbia (18,2%)-- somente mal-intencionados poderão acreditar que um aporte de recursos de 0,7% corrigirá a indecência nacional.
Também enganadora é a ideia de se recorrer às instituições filantrópicas.
Em situação falimentar, deixam de pagar tributos porque não recebem do governo federal os valores justos pelo trabalho.
Pelo mesmo motivo, serão incapazes de aumentar o já precário atendimento.
Quanto à criação de novas vagas para alunos de medicina, nada mais irrealista.
Para acomodar os números apresentados, o governo teria que criar entre 120 e 150 escolas médicas.
Com que recursos?
Com que professores?
Com que hospitais?
Presidente, termino pedindo desculpas pela minha insolência. Você, que é digna e tem história, não pode tergiversar perante o clamor de tantos filhos da nação.
Faça ouvidos moucos ao embuste e combata de forma sincera os malfeitos.
Assuma, de forma sincera e não dissimulada, a determinação política de priorizar os recursos para as áreas sociais.
Para não ser tomada por angústia infinita ao cruzar com a multidão, entoando com indignação o canto de Chico Buarque:
"Você que inventou a tristeza/
Ora, tenha a fineza/
De desinventar/
Você vai pagar e é em dobro/
Cada lágrima rolada/
Nesse meu penar".
Este importante manifesto é de autoria do Dr. MIGUEL SROUGI, 66 anos, pós-graduado em urologia pela Universidade de Harvard, é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USPe presidente do conselho do
Instituto Criança é Vida
Foto: fiz durante o protesto que saiu da Sé, foi até a Prefeitura e depois à Avenida Paulista
A Vida Examinada - Sócrates
Vídeo produzido e dirigido por John Almann, apresentado e comentado no programa Sala de Aula da TV Educativa
domingo, 30 de junho de 2013
Lúcia Hippólito descreve a construção do Nunca Antes
NASCIMENTO DO PT
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT... Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.
Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.
CRESCIMENTO DO PT
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.
Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.
MAIORIDADE DO PT
E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.
Pessoas honestas e de princípios se afastam do PT.
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Junior.
Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida, Frei Betto.
E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.
Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido..
QUEM FICOU NO PT?
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando benefícios para os seus. Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.
Este texto é de autoria de Lucia Hippólito, que é cientista politica, historiadora e conferencista brasileira, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. Ela sofreu, recentemente, um ataque de uma doença auto-imune. Os adoradores do PT não se furtaram a comentários hediondos como: "Ela ter pago pela língua".
O que observo com maior perplexidade, neste Estado PT, é a instalação desta modalidade de pensamento, raciocínio revanche pessoal inadmissível para governantes e partidários sérios.
Nem mesmo ousam rebater os argumentos de forma madura, franca e transparente, a truculência cresce e torna-se abominável, é execrável, para nós que assistimos a tudo financiando o circo com nossos impostos, é inaceitável.
Abaixo, paralelos históricos importantes, praticamente uma autópsia deste partido que literalmente morreu ao entrar no poder e hoje, morto -vivo nos assombra com suas exibições do que Nunca Antes testemunhamos com tanta condescendência:
Diamantina, Interior de Minas Gerais, 1914.
O jovem 'Juscelino Kubitschek', de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos.
Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu o curso de Medicina e se especializou em Paris.
Como Presidente, modernizou o Brasil.
Legou um rol impressionante de obras e; humilde e obstinado, era (E AINDA É) querido por todos.Brasília, 2003.
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT... Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.
Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.
CRESCIMENTO DO PT
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.
Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.
MAIORIDADE DO PT
E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.
Pessoas honestas e de princípios se afastam do PT.
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Junior.
Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida, Frei Betto.
E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.
Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido..
QUEM FICOU NO PT?
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando benefícios para os seus. Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.
Este texto é de autoria de Lucia Hippólito, que é cientista politica, historiadora e conferencista brasileira, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. Ela sofreu, recentemente, um ataque de uma doença auto-imune. Os adoradores do PT não se furtaram a comentários hediondos como: "Ela ter pago pela língua".
O que observo com maior perplexidade, neste Estado PT, é a instalação desta modalidade de pensamento, raciocínio revanche pessoal inadmissível para governantes e partidários sérios.
Nem mesmo ousam rebater os argumentos de forma madura, franca e transparente, a truculência cresce e torna-se abominável, é execrável, para nós que assistimos a tudo financiando o circo com nossos impostos, é inaceitável.
Abaixo, paralelos históricos importantes, praticamente uma autópsia deste partido que literalmente morreu ao entrar no poder e hoje, morto -vivo nos assombra com suas exibições do que Nunca Antes testemunhamos com tanta condescendência:
Diamantina, Interior de Minas Gerais, 1914.
O jovem 'Juscelino Kubitschek', de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos.
Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu o curso de Medicina e se especializou em Paris.
Como Presidente, modernizou o Brasil.
Legou um rol impressionante de obras e; humilde e obstinado, era (E AINDA É) querido por todos.Brasília, 2003.
Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não haver estudado.
Acha bobagem falar inglês. 'Tenho diploma da vida', afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que 'ler é um hábito chato'.Quando era 'sindicalista', percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar - sua meta até hoje.
Londres, 1940.
Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá.
Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha entra no exército britânico; como 'Tenente-Enfermeira', e, sua função é recolher feridos nos bombardeios.
Hoje ela é a 'Rainha Elizabeth II'.
Brasília, 2005.
Acha bobagem falar inglês. 'Tenho diploma da vida', afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que 'ler é um hábito chato'.Quando era 'sindicalista', percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar - sua meta até hoje.
Londres, 1940.
Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá.
Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha entra no exército britânico; como 'Tenente-Enfermeira', e, sua função é recolher feridos nos bombardeios.
Hoje ela é a 'Rainha Elizabeth II'.
Brasília, 2005.
A primeira-dama (? que nada faz para justificar o título) Marisa Letícia, requer 'cidadania italiana' - e consegue.
Explica, candidamente, que quer 'um futuro melhor para seus filhos'.
Washington, 1974.
A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e o Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando.
Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.Brasília, 2005.
Explica, candidamente, que quer 'um futuro melhor para seus filhos'.
Washington, 1974.
A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e o Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando.
Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.Brasília, 2005.
Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar.
Ante as muitas provas, Lula repete o 'eu não sabia de nada', e ainda acusa a imprensa de persegui-lo.
Disse que foi 'traído', mas não conta por quem.
Londres, 2001.
O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia.
Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo.
Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso.
A polícia descobre e chama Blair,' que vai sozinho à delegacia buscar o filho'.
Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.Brasília, 2005.
Ante as muitas provas, Lula repete o 'eu não sabia de nada', e ainda acusa a imprensa de persegui-lo.
Disse que foi 'traído', mas não conta por quem.
Londres, 2001.
O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia.
Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo.
Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso.
A polícia descobre e chama Blair,' que vai sozinho à delegacia buscar o filho'.
Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.Brasília, 2005.
O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa, financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso.O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu 'filhinho nessa sujeira'.
Nova Délhi, 2003.
O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens.
Adquire um excelente, brasileiríssimo 'EMB-195', da 'Embraer', por US$ 10 milhões.
Brasília, 2003.
Nova Délhi, 2003.
O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens.
Adquire um excelente, brasileiríssimo 'EMB-195', da 'Embraer', por US$ 10 milhões.
Brasília, 2003.
Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve.
Quer um dos caros, de um consórcio franco-alemão. Gasta US$ 57 milhões e,
AINDA, manda decorar a aeronave de luxo nos EUA. 'DO BRASIL NÃO SERVE'.'O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.'
Martin Luther King
Quer um dos caros, de um consórcio franco-alemão. Gasta US$ 57 milhões e,
AINDA, manda decorar a aeronave de luxo nos EUA. 'DO BRASIL NÃO SERVE'.'O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.'
Martin Luther King
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Bóris Fausto - Sobre a Ditadura
Em 1964, Bóris Fausto tinha 34 anos, era graduando em história pela Universidade de São Paulo -USP.
Não sabia como seria o destino da democracia brasileira e se mantinha positivo, pensando, "inclusive que o novo regime poderia não contrariar nenhuma norma moral, já que a tomada de decisão do golpe estava sendo feita em nome da recuperação e promoção de valores democráticos.
Não se realizaram esforços para organizar as massas em apoio ao governo; não se tentou construir um partido único, acima do Estado, nem uma ideologia capaz de ganhar setores letrados.
Pelo contrário, a ideologia de esquerda continuou a ser dominante nas universidades e nos meios culturais em geral."
O historiador em momento algum nega a existência da ditadura durante o regime militar, entretanto põe em questões que esse momento da história brasileira teve, mesmo de forma esparsa(e refutável), centelhas de democracia.
"O regime implantado em 1964 não foi uma ditadura pessoal. Poderíamos compará-lo a um condomínio em que um dos chefes militares - general de quatro estrelas - era escolhido para governar o país com prazo definido. A sucessão presidencial se realizava de fato no interior da corporação militar. Na aparência, de acordo com a legislação, era o congresso que elegia o presidente da República, indicado pela Arena. Mas o Congresso, descontados os votos da oposição, apenas sacramentava a ordem vinda de cima."
...
CULT: E como foi com as pessoas do seu convívio? Como os acontecimentos do ano de 1064 interferiram no seu momento de graduação?
B.F.: Minha posição como estudante era bastante excepcional. Eu era um aluno muito mais velho do que os demais da turma. eu não tinha nenhum grande envolvimento, do ponto de vista universitário. Mas o golpe, nas suas consequências, imediatas para certas pessoas, não todas, não a maioria, mas uma grande parte, tinha algumas coisas de possível. Havia alguma coisa no ar que poderia ir para a esquerda ou para a direita numa situação particularmente tensa. Muita gente não imaginava qual seria a profundidade do golpe. eu me lembro, numa discussão com amigos: será que vão cassar mandatos? Se eles estão falando tanto em restauração da democracia, como é que eles vão compatibilizar isso com cortes no Congresso? Isso é muito contraditório, complicado. Não avaliávamos muito a profundidade daquelas iniciativas. E na universidade se instalou um clima de caça as bruxas, de tensão, de medo. O caso mais típico foi o de medicina, nesse ano de 1964. Havia divisões de carreira e também por razões políticas. Então quando você mistura essas duas coisas, você tem dinamite preparado. Quando houve o golpe, uma situação excepcional, então se criaram muitas condições de dentro para fora, inclusive, a direita da faculdade passasse a dedurar o pessoal que era da esquerda.
CULT:Em que medida o golpe foi ditadura desde o princípio. Havia uma dúvida, na ocasião, se ele era uma ditadura ou não?
B.F.: Naquele momento, a gente, eu, não chegava a perceber qual seria o alcance dessa interrupção de um sistema democrático. "Eles vão fazer uma limpeza, purificar a democracia e nós vamos logo retomar o quadro constitucional. Ou vai haver uma ditadura que vai se aprofundar?" Essa era a dúvida que havia em 64 e 65. Essa dúvida ficou inteiramente resolvida em 1968; com o AI5 ficou claro que tinha se instalado um regime militar autoritário e que tinha vindo para ficar e por muito tempo. até 68 havia uma situação de tensão, de exceção, de violência. a gente não sabia muito bem como seria o desfecho disso, se seria uma transição com muita violência ou se ele consolidaria como uma opção. Hoje se afirma claramente que foi uma ditadura, mas é preciso tomar cuidado para distinguir. Porque quando a gente diz que foi uma ditadura é uma afirmação que cabe de tudo, então é preciso classificar. Foi uma ditadura com algumas características particulares: o Congresso ficou aberto, houve partidos políticos, etc. se você for comparar com a Argentina, é muito diferente. Foi uma ditadura, no Brasil, porque não houve eleições livres, porque quem ficou com o poder foi a cúpula militar. Porque não houve liberdade de imprensa, porque houve violência - a partir de um momento a tortura se tornou instrumento do regime - está claro que foi uma ditadura. A nossa foi muito mais regrada do que a da Argentina.
CULT: E lá ocorreu uma guerra civil.
B.F: Você não tem uma guerra civil aqui, você tem choques, mas choques localizados, aqui você tem um quadro institucional regular; presidências que se sucederam, por meio de eleições fechadas, sacramentadas no Congresso, depois no Colégio Eleitoral. Na Argentina você teve atos mais caóticos e, inclusive muito mais violência.
CULT: Mas essa relativa ausência de choques, essa relativa menor violência, enfim, essa trajetória diferente se deve a quê?
B.F.: Tem a ver com circunstâncias de determinados países e de determinadas situações. No caso brasileiro,
você tem o fato de que não há uma polarização muito grande da sociedade,
das diferentes classes sociais,
então isso reduziu muito o impacto dos choques, porque não houve choques, e possibilitou a existência de uma ditadura que operou uma série de reformas, que era pouco mobilizadora e que se apoiava nos seus êxitos econômicos e também na fraqueza da oposição, além da percepção de certos atores políticos como o Geisel que, por exemplo, permitiu que se fizesse uma transição suave para o regime democrático.
CULT: Poderia me explicar quais são essas características?
B.F.: Uma sociedade que tem como característica um maior grau de composição entre os diferentes atores políticos.
...
CULT: Quatro décadas representam uma distância razoável para podermos contar a história de 1964? A documentação é, de fato, acessível?
B.F.: A respeito de distância, hoje, é muito corrente entre os historiadores a ideia de fazer história do dia anterior, uma história imediata; não há mais preconceito em se falar do passado próximo. eu ainda peguei um tempo em que os velhos professores diziam não ser possível estudar a Primeira República porque era muito cedo, "isso vira política, e não história".
Os brasileiros entraram nesse campo, porque ninguém trabalhava nesse campo. Dá para fazer história recente, dá, mas há limites. Entram nossas opiniões, a nossa paixão. se você controlar um pouco essa paixão e usar o seu testemunho procurando ser um pouco mais objetivo, pode-se ganhar muito com isso, pode-se apresentar com um relato uma análise muito mais interessante. com relação a documentação, falta de documentação, geralmente é pretexto. a respeito de 64, existem lacunas. Mas existe uma quantidade de coisas abertas, uma parte dos arquivos americanos estão abertos, existe o material de imprensa, mesmo que a imprensa em certos períodos tenha sido censurada, existem inúmeros depoimentos de pessoas que viveram essa época, problemas de documentação, sinceramente, não existem. O episódio da guerrilha do Araguaia, foi bastante exposto. uma das vantagens da distância, é o de se olhar mais para o conjunto, de se ter um pouco mais de frieza em relação a esse período, que não se revela só coisas negativas. todo esse período do regime militar é um período contraditório, ele não tem apenas aspectos negativos - são eles que saltam à vista, mas eles não explicam todo o conjunto do regime militar.
CULT: Você nunca foi ameaçado por ele?
B. F.: Eu tive apenas duas breves prisões, uma em 64, por três dias, e outra no começo dos anos 70, quando fui detido por algumas horas.
CULT: Porque o levaram, já que não era engajado?
BF.: Em 64 fui levado por causa de um inquérito policial militar. Fui processado e ganhei um habeas corpus. O caso terminou aí.
No começo dos anos 70, fui preso apenas porque recebia uma pessoa que tinha envolvimento com opositores. Acharam, então, que eu poderia ter. A diferença é que depois de 68 tudo era arbitrário, pois se quisessem me deixar preso, realmente poderiam. Veja a diferença do quadro de 64, fui pelo caminho judicial e consegui. a repressão se agravou muito. Depois de 68 você já não tinha direito ao habeas corpus e não tinha para quem apelar; se alguém desaparecesse, não se sabia a quem procurar. Nesse sentido, pode-se falar que houve uma democratização da violência, porque isso atingia todo mundo, aqueles contatos de classe média, a ideia de que vou falar com fulano ou sicrano para me ajudar, tudo isso desapareceu.
CULT: E o que teria acontecido se não tivesse ocorrido o golpe de 64?
B.F.: É verdade que nós havíamos chegado a uma situação econômica grave, paralisação no Congresso, radicalização do setor organizado, tudo isso tornou as chances de um golpe algo muito grande. É difícil imaginar o que teria sido o Brasil sem o golpe, mas é evidente que o Brasil estava precisando de uma série de medidas de contenção do plano econômico que teriam de ser feitas no âmbito do regime democrático, mas isso não se realizou. O que ganhou realmente força foi a opção por um golpe.
Eu acho que a lição da época, para as pessoas de hoje é justamente a lição que diz respeito à questão da democracia mais do que a qualquer outra coisa, porque em 64, a direita realmente não apostava no regime democrático, mas a esquerda também não apostava na democracia como um valor muito importante, relevante era uma reforma social, ou para certos grupos, a revolução. Democracia, para alguns, era até um entrave para essa perspectiva de grande transformação social, então, uma das tragédias desse período foi esse abandono da crença na democracia e na necessidade de preservar um sistema político. era muito difícil preservar um sistema político, mas quado não há consciência disso, as coisas se tornam muito mais complicadas. Havia pessoas que buscavam um ajuste do sistema democrático. Mas a tendência na época era de que a democracia era um instrumento, e pode ser um instrumento útil e pode não ser. O que isso tem a ver com os dias de hoje? As gerações novas vivem um clima democrático, com todos os problemas de hoje (violência urbana, etc) mas com tudo isso você tem um regime que se discute, opiniões são ditas, pessoas são eleitas e a imprensa fala. Tudo isso faz parte do ar que se respira. É preciso dizer que essas são conquistas de enorme importância e que, para quem viveu em uma situação de fechamento, ficou registrado que essa época foi uma lição para que isso não aconteça novamente.
Trechos da entrevista do historiador Bóris Fausto, concedida a Janaina Rocha, publicada na Revista Cult em março de 2004
Foto: fiz em 12 de Setembro de 2011, durante a manifestação em frente ao mostrador digital que registra o montante de impostos arrecadados. O impostômetro é uma iniciativa da Associação Comercial de São Paulo e foi instalado na diagonal do Páteo do Colégio - Marco Zero de São Paulo.
Não sabia como seria o destino da democracia brasileira e se mantinha positivo, pensando, "inclusive que o novo regime poderia não contrariar nenhuma norma moral, já que a tomada de decisão do golpe estava sendo feita em nome da recuperação e promoção de valores democráticos.
Não se realizaram esforços para organizar as massas em apoio ao governo; não se tentou construir um partido único, acima do Estado, nem uma ideologia capaz de ganhar setores letrados.
Pelo contrário, a ideologia de esquerda continuou a ser dominante nas universidades e nos meios culturais em geral."
O historiador em momento algum nega a existência da ditadura durante o regime militar, entretanto põe em questões que esse momento da história brasileira teve, mesmo de forma esparsa(e refutável), centelhas de democracia.
"O regime implantado em 1964 não foi uma ditadura pessoal. Poderíamos compará-lo a um condomínio em que um dos chefes militares - general de quatro estrelas - era escolhido para governar o país com prazo definido. A sucessão presidencial se realizava de fato no interior da corporação militar. Na aparência, de acordo com a legislação, era o congresso que elegia o presidente da República, indicado pela Arena. Mas o Congresso, descontados os votos da oposição, apenas sacramentava a ordem vinda de cima."
...
CULT: E como foi com as pessoas do seu convívio? Como os acontecimentos do ano de 1064 interferiram no seu momento de graduação?
B.F.: Minha posição como estudante era bastante excepcional. Eu era um aluno muito mais velho do que os demais da turma. eu não tinha nenhum grande envolvimento, do ponto de vista universitário. Mas o golpe, nas suas consequências, imediatas para certas pessoas, não todas, não a maioria, mas uma grande parte, tinha algumas coisas de possível. Havia alguma coisa no ar que poderia ir para a esquerda ou para a direita numa situação particularmente tensa. Muita gente não imaginava qual seria a profundidade do golpe. eu me lembro, numa discussão com amigos: será que vão cassar mandatos? Se eles estão falando tanto em restauração da democracia, como é que eles vão compatibilizar isso com cortes no Congresso? Isso é muito contraditório, complicado. Não avaliávamos muito a profundidade daquelas iniciativas. E na universidade se instalou um clima de caça as bruxas, de tensão, de medo. O caso mais típico foi o de medicina, nesse ano de 1964. Havia divisões de carreira e também por razões políticas. Então quando você mistura essas duas coisas, você tem dinamite preparado. Quando houve o golpe, uma situação excepcional, então se criaram muitas condições de dentro para fora, inclusive, a direita da faculdade passasse a dedurar o pessoal que era da esquerda.
CULT:Em que medida o golpe foi ditadura desde o princípio. Havia uma dúvida, na ocasião, se ele era uma ditadura ou não?
B.F.: Naquele momento, a gente, eu, não chegava a perceber qual seria o alcance dessa interrupção de um sistema democrático. "Eles vão fazer uma limpeza, purificar a democracia e nós vamos logo retomar o quadro constitucional. Ou vai haver uma ditadura que vai se aprofundar?" Essa era a dúvida que havia em 64 e 65. Essa dúvida ficou inteiramente resolvida em 1968; com o AI5 ficou claro que tinha se instalado um regime militar autoritário e que tinha vindo para ficar e por muito tempo. até 68 havia uma situação de tensão, de exceção, de violência. a gente não sabia muito bem como seria o desfecho disso, se seria uma transição com muita violência ou se ele consolidaria como uma opção. Hoje se afirma claramente que foi uma ditadura, mas é preciso tomar cuidado para distinguir. Porque quando a gente diz que foi uma ditadura é uma afirmação que cabe de tudo, então é preciso classificar. Foi uma ditadura com algumas características particulares: o Congresso ficou aberto, houve partidos políticos, etc. se você for comparar com a Argentina, é muito diferente. Foi uma ditadura, no Brasil, porque não houve eleições livres, porque quem ficou com o poder foi a cúpula militar. Porque não houve liberdade de imprensa, porque houve violência - a partir de um momento a tortura se tornou instrumento do regime - está claro que foi uma ditadura. A nossa foi muito mais regrada do que a da Argentina.
CULT: E lá ocorreu uma guerra civil.
B.F: Você não tem uma guerra civil aqui, você tem choques, mas choques localizados, aqui você tem um quadro institucional regular; presidências que se sucederam, por meio de eleições fechadas, sacramentadas no Congresso, depois no Colégio Eleitoral. Na Argentina você teve atos mais caóticos e, inclusive muito mais violência.
CULT: Mas essa relativa ausência de choques, essa relativa menor violência, enfim, essa trajetória diferente se deve a quê?
B.F.: Tem a ver com circunstâncias de determinados países e de determinadas situações. No caso brasileiro,
você tem o fato de que não há uma polarização muito grande da sociedade,
das diferentes classes sociais,
então isso reduziu muito o impacto dos choques, porque não houve choques, e possibilitou a existência de uma ditadura que operou uma série de reformas, que era pouco mobilizadora e que se apoiava nos seus êxitos econômicos e também na fraqueza da oposição, além da percepção de certos atores políticos como o Geisel que, por exemplo, permitiu que se fizesse uma transição suave para o regime democrático.
CULT: Poderia me explicar quais são essas características?
B.F.: Uma sociedade que tem como característica um maior grau de composição entre os diferentes atores políticos.
...
CULT: Quatro décadas representam uma distância razoável para podermos contar a história de 1964? A documentação é, de fato, acessível?
B.F.: A respeito de distância, hoje, é muito corrente entre os historiadores a ideia de fazer história do dia anterior, uma história imediata; não há mais preconceito em se falar do passado próximo. eu ainda peguei um tempo em que os velhos professores diziam não ser possível estudar a Primeira República porque era muito cedo, "isso vira política, e não história".
Os brasileiros entraram nesse campo, porque ninguém trabalhava nesse campo. Dá para fazer história recente, dá, mas há limites. Entram nossas opiniões, a nossa paixão. se você controlar um pouco essa paixão e usar o seu testemunho procurando ser um pouco mais objetivo, pode-se ganhar muito com isso, pode-se apresentar com um relato uma análise muito mais interessante. com relação a documentação, falta de documentação, geralmente é pretexto. a respeito de 64, existem lacunas. Mas existe uma quantidade de coisas abertas, uma parte dos arquivos americanos estão abertos, existe o material de imprensa, mesmo que a imprensa em certos períodos tenha sido censurada, existem inúmeros depoimentos de pessoas que viveram essa época, problemas de documentação, sinceramente, não existem. O episódio da guerrilha do Araguaia, foi bastante exposto. uma das vantagens da distância, é o de se olhar mais para o conjunto, de se ter um pouco mais de frieza em relação a esse período, que não se revela só coisas negativas. todo esse período do regime militar é um período contraditório, ele não tem apenas aspectos negativos - são eles que saltam à vista, mas eles não explicam todo o conjunto do regime militar.
CULT: Você nunca foi ameaçado por ele?
B. F.: Eu tive apenas duas breves prisões, uma em 64, por três dias, e outra no começo dos anos 70, quando fui detido por algumas horas.
CULT: Porque o levaram, já que não era engajado?
BF.: Em 64 fui levado por causa de um inquérito policial militar. Fui processado e ganhei um habeas corpus. O caso terminou aí.
No começo dos anos 70, fui preso apenas porque recebia uma pessoa que tinha envolvimento com opositores. Acharam, então, que eu poderia ter. A diferença é que depois de 68 tudo era arbitrário, pois se quisessem me deixar preso, realmente poderiam. Veja a diferença do quadro de 64, fui pelo caminho judicial e consegui. a repressão se agravou muito. Depois de 68 você já não tinha direito ao habeas corpus e não tinha para quem apelar; se alguém desaparecesse, não se sabia a quem procurar. Nesse sentido, pode-se falar que houve uma democratização da violência, porque isso atingia todo mundo, aqueles contatos de classe média, a ideia de que vou falar com fulano ou sicrano para me ajudar, tudo isso desapareceu.
CULT: E o que teria acontecido se não tivesse ocorrido o golpe de 64?
B.F.: É verdade que nós havíamos chegado a uma situação econômica grave, paralisação no Congresso, radicalização do setor organizado, tudo isso tornou as chances de um golpe algo muito grande. É difícil imaginar o que teria sido o Brasil sem o golpe, mas é evidente que o Brasil estava precisando de uma série de medidas de contenção do plano econômico que teriam de ser feitas no âmbito do regime democrático, mas isso não se realizou. O que ganhou realmente força foi a opção por um golpe.
Eu acho que a lição da época, para as pessoas de hoje é justamente a lição que diz respeito à questão da democracia mais do que a qualquer outra coisa, porque em 64, a direita realmente não apostava no regime democrático, mas a esquerda também não apostava na democracia como um valor muito importante, relevante era uma reforma social, ou para certos grupos, a revolução. Democracia, para alguns, era até um entrave para essa perspectiva de grande transformação social, então, uma das tragédias desse período foi esse abandono da crença na democracia e na necessidade de preservar um sistema político. era muito difícil preservar um sistema político, mas quado não há consciência disso, as coisas se tornam muito mais complicadas. Havia pessoas que buscavam um ajuste do sistema democrático. Mas a tendência na época era de que a democracia era um instrumento, e pode ser um instrumento útil e pode não ser. O que isso tem a ver com os dias de hoje? As gerações novas vivem um clima democrático, com todos os problemas de hoje (violência urbana, etc) mas com tudo isso você tem um regime que se discute, opiniões são ditas, pessoas são eleitas e a imprensa fala. Tudo isso faz parte do ar que se respira. É preciso dizer que essas são conquistas de enorme importância e que, para quem viveu em uma situação de fechamento, ficou registrado que essa época foi uma lição para que isso não aconteça novamente.
Trechos da entrevista do historiador Bóris Fausto, concedida a Janaina Rocha, publicada na Revista Cult em março de 2004
Foto: fiz em 12 de Setembro de 2011, durante a manifestação em frente ao mostrador digital que registra o montante de impostos arrecadados. O impostômetro é uma iniciativa da Associação Comercial de São Paulo e foi instalado na diagonal do Páteo do Colégio - Marco Zero de São Paulo.
Todos querem a mudança - O Tempo é Chegado
Porque me criei no Rio Grande do Sul, no interior, não vivi no foco da repressão mais intensa do governo militar.
Ainda fico penalizada e assustada pela maneira preconceituosa como o pessoal do centro do país se porta e educa seus filhos em relação aos militares. Delicadamente, tenho comentado que tenho amigos militares que admiro e respeito, são professores, historiadores, estudiosos e especialmente os cariocas, gente espiritualizada, de muito fino trato.
Mas conheço histórias dos que lutaram contra o regime, dos que foram na frente e foram pegos, como o emblemático Stuart Angel.
Se sobre ontem, lemos, somos informados, hoje testemunhamos criminosos que andam a ser privilegiados pelo atual sistema.
O período do governo militar, pelos seus excessos é um assunto nevrálgico e triste como todo episódio em que há a cessação dos direitos constitucionais e abuso da violência.
Os culpados pelos crimes daquela ou desta época não devem ser absolvidos sob pena da nódoa não ser removida do poder que foram criados para manter, cumprindo deveres legais e mantendo salva a livre expressão
Se somente simular as condições relatadas por quem viveu na área e na época de maior repressão já é deprimente, me pergunto o que faz com que os contemporâneos das atrocidades se calem. O mesmo velho calo, a mesma velha fraqueza:individualismo.
Pelo que sinto, ninguém sonha com melhorias que tenham como condição o retorno de um governo militar, muito menos os militares, os bons profissionais que conheço.
Dias atrás passei para os amigos uma carta de um oficial reformado, que consternado com a situação em que o Brasil se encontra, devido a corrupção e desgovernos, se manifestou dizendo que se antes se manteve discreto, agora fará campanha aberta contra o partidão mar de lama. Sua carta chega encimada pela apresentação de outro militar, provavelmente na ativa, que diz: "Esta é a maior batalha sem uso de nenhum artefato bélico. Não somente nós, militares, mas todos os brasileiros insatisfeitos com as mentiras deslavadas, vamos usar apenas um tipo de arma, que causará em todos os enganadores do Brasil, ferimentos mortais. Esta arma é a mais simples de todas: o nosso voto. Vamos a luta, Brasil!"
Já o militar aposentado reclama do que reclamamos, e finaliza:"Precisamos mostrar que temos força, não estamos mortos e eles passarão a se acautelar e nos enxergarão com o justo respeito e dignidade. Essa é a melhor forma... Vamos nos unir, não se acovardem...Votem em quem quiserem, exceto, apenas que não seja alguém do PT ou de seus aliados, pelo amor ao País, vamos impactar com o comodismo que domina o governo federal e mostrar que temos - junto com o povo que é sobreano - a maior força, da internet e do poder do voto.
Já passou da hora de virar a mesa!!!
"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
(Albert Einstein)
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"
Imediatamente alguém se manifestou escandalizado, sugerindo que o oficial reformado vestisse o seu pijama e fizesse o favor de não se manifestar. Escreve:"Quanta tristeza me abate ao ler tão medíocre texto, presunçoso e discriminatório. Existe mesmo algum militar desempregado? Suas filhas já estão casando? Ou abdicaram da pensão "eterna"...Não se trata de política partidária, mas sim de um sistema econômico/político falido. Tributos que nos esmagam, herança corrupta - uma sociedade que se edificou no jeitinho anti-ético, amoral e alienado."
Tem suas razões, na minha opinião, o que não exime os atuais governantes de suas responsabilidade pelo que acontece no nosso tempo.
É evidente que uma sociedade não é culpada, mas se torna cúmplice quando não possui mecanismos para evitar e combater os crimes, mas um partido ou corporação que não identificam nem punem integrantes, indivíduos ou facções que não agem dentro da justiça instituída, é culpada e condenável.
Quem pode condenar o juízo radical que generaliza nas acusações, como tem sido o caso dos familiares ou descendentes das vítimas de tortura?
O maior descalabro, a origem do sopro infernal que a tudo deforma e desequilibra, põe-se em movimento quando os responsáveis pela manutenção da seguridade física do indivíduo, tornam-se os violadores da mesma.
Na elucidação das Chaves das Parábolas Maçônicas, precisamente no relato da emboscada preparada contra Hiram, o arquiteto do Templo nomeado pelo Rei Salomão, no momento em que um dos três, o segundo atacante, Miphiboseth, golpeia Hiram com uma alavanca, Éliphas Lévi comenta:
"As reações populares contra a tirania, tornam-se da mesma forma, tirania e atentam mais fatalmente ainda contra o reinado da Sabedoria e da Virtude."
Obviamente se refere às ações violentas. Ao círculo infindável.
Penso que a interrogação, bifurcação vital, que fica é:
Qual é a nossa posição diante da tortura, ainda hoje oficialmente praticada pelo homem universal contra o homem universal?
Foto: quadro que pintei em óleo sobre um desenho que Joseph fez aos 05 anos de idade
Ainda fico penalizada e assustada pela maneira preconceituosa como o pessoal do centro do país se porta e educa seus filhos em relação aos militares. Delicadamente, tenho comentado que tenho amigos militares que admiro e respeito, são professores, historiadores, estudiosos e especialmente os cariocas, gente espiritualizada, de muito fino trato.
Mas conheço histórias dos que lutaram contra o regime, dos que foram na frente e foram pegos, como o emblemático Stuart Angel.
Se sobre ontem, lemos, somos informados, hoje testemunhamos criminosos que andam a ser privilegiados pelo atual sistema.
O período do governo militar, pelos seus excessos é um assunto nevrálgico e triste como todo episódio em que há a cessação dos direitos constitucionais e abuso da violência.
Os culpados pelos crimes daquela ou desta época não devem ser absolvidos sob pena da nódoa não ser removida do poder que foram criados para manter, cumprindo deveres legais e mantendo salva a livre expressão
Se somente simular as condições relatadas por quem viveu na área e na época de maior repressão já é deprimente, me pergunto o que faz com que os contemporâneos das atrocidades se calem. O mesmo velho calo, a mesma velha fraqueza:individualismo.
Pelo que sinto, ninguém sonha com melhorias que tenham como condição o retorno de um governo militar, muito menos os militares, os bons profissionais que conheço.
Dias atrás passei para os amigos uma carta de um oficial reformado, que consternado com a situação em que o Brasil se encontra, devido a corrupção e desgovernos, se manifestou dizendo que se antes se manteve discreto, agora fará campanha aberta contra o partidão mar de lama. Sua carta chega encimada pela apresentação de outro militar, provavelmente na ativa, que diz: "Esta é a maior batalha sem uso de nenhum artefato bélico. Não somente nós, militares, mas todos os brasileiros insatisfeitos com as mentiras deslavadas, vamos usar apenas um tipo de arma, que causará em todos os enganadores do Brasil, ferimentos mortais. Esta arma é a mais simples de todas: o nosso voto. Vamos a luta, Brasil!"
Já o militar aposentado reclama do que reclamamos, e finaliza:"Precisamos mostrar que temos força, não estamos mortos e eles passarão a se acautelar e nos enxergarão com o justo respeito e dignidade. Essa é a melhor forma... Vamos nos unir, não se acovardem...Votem em quem quiserem, exceto, apenas que não seja alguém do PT ou de seus aliados, pelo amor ao País, vamos impactar com o comodismo que domina o governo federal e mostrar que temos - junto com o povo que é sobreano - a maior força, da internet e do poder do voto.
Já passou da hora de virar a mesa!!!
"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
(Albert Einstein)
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso"
Imediatamente alguém se manifestou escandalizado, sugerindo que o oficial reformado vestisse o seu pijama e fizesse o favor de não se manifestar. Escreve:"Quanta tristeza me abate ao ler tão medíocre texto, presunçoso e discriminatório. Existe mesmo algum militar desempregado? Suas filhas já estão casando? Ou abdicaram da pensão "eterna"...Não se trata de política partidária, mas sim de um sistema econômico/político falido. Tributos que nos esmagam, herança corrupta - uma sociedade que se edificou no jeitinho anti-ético, amoral e alienado."
Tem suas razões, na minha opinião, o que não exime os atuais governantes de suas responsabilidade pelo que acontece no nosso tempo.
É evidente que uma sociedade não é culpada, mas se torna cúmplice quando não possui mecanismos para evitar e combater os crimes, mas um partido ou corporação que não identificam nem punem integrantes, indivíduos ou facções que não agem dentro da justiça instituída, é culpada e condenável.
Quem pode condenar o juízo radical que generaliza nas acusações, como tem sido o caso dos familiares ou descendentes das vítimas de tortura?
O maior descalabro, a origem do sopro infernal que a tudo deforma e desequilibra, põe-se em movimento quando os responsáveis pela manutenção da seguridade física do indivíduo, tornam-se os violadores da mesma.
Na elucidação das Chaves das Parábolas Maçônicas, precisamente no relato da emboscada preparada contra Hiram, o arquiteto do Templo nomeado pelo Rei Salomão, no momento em que um dos três, o segundo atacante, Miphiboseth, golpeia Hiram com uma alavanca, Éliphas Lévi comenta:
"As reações populares contra a tirania, tornam-se da mesma forma, tirania e atentam mais fatalmente ainda contra o reinado da Sabedoria e da Virtude."
Obviamente se refere às ações violentas. Ao círculo infindável.
Penso que a interrogação, bifurcação vital, que fica é:
Qual é a nossa posição diante da tortura, ainda hoje oficialmente praticada pelo homem universal contra o homem universal?
Foto: quadro que pintei em óleo sobre um desenho que Joseph fez aos 05 anos de idade
terça-feira, 18 de junho de 2013
Revolução do Vinagre, ou Movimento Acorda Brasil
Quem foi para se manifestar, manifestou que foi muito bem criado, que não se criou para canga. As mães e pais da geração que ficará conhecida como a Vinagre, estão de parabéns.
Fiz alguns cartazes, imprimi outros e fui ao protesto com minha filha. Não foi uma ideia criativa, visto que numerosas mães tiveram a mesma. Só quem sofreu foram os despolitizados revoltados, posto que a rapaziada não deixava que os focos de manifestação revoltosa exacerbada se alastrasse. Olhe, observar o barulho de algo sendo arremessado rumo a prefeitura é um livro composto de dez tomos, para quem sabe ler sinais, mas então era de dar pena dos afoitos que tinham que baixar a crista recebendo pito da massa - em público e ao som de coro. O decoro da família brasileira fermentou em torno das mesas nos lares, nos refeitórios tristes da escolas cárceres, e fez crescer o bolo da indignação, pela falta de saúde, educação, respeito com o cidadão, o manjar coberto com uma excessiva pasta de impostos foi deglutido, digerido e os filhos alimentados nesta mesa cresceram e tem ideias próprias. A cereja do bolo, talvez seja o vô ou a vó roubados pelo governo, pelos bancos sem ficalização em suas pensões e aposentadorias. A Geração Vinagre é ácida e cortante. Expõe agora suas ideias avinagradas, que se Deus quiser, haverão de temperar a dúvidas o paladar da classe espúria que encrustou-se no comando do país, acostumada a dóceis cidadãos, sempre boa massa de manobra.
Os monstros do marketing já lançaram a contra-ofensiva que tenciona dispersar a atenção: votação da "cura gay".
Enquanto o alvo corre para apagar o fogo, eles cospem o bocado ardido, quem sabe as manifestações, exalações do Vinagre dissipam...
Nesta altura, parte dos manifestantes parou em frente dos prédios cujas janelas estavam abarrotadas de expectadores, o coro subiu convocando:
"Tira a gravata e
desce para a
passeata!"
passeata!"
Do céu desciam adesões serpenteantes em forma de gravatas. Foi poético.
Estes têm caras de líderes, heim?! imagem que fiz logo após o tumulto da tentativa de entrada na prefeitura. Minha filha e eu, estávamos ao lado. A logística natural do que é para dar certo, do que está maduro e é impecável; grades de contenção derrubadas? Vinha gente de todo lado e repunha. E o respeito com as mães? "Saiam daqui, vamos até ali, aqui pode ficar perigoso". Eu, heim?! Se o mundo todo fosse uma passeata como essa não haveria o que temer, é só ficar entre eles, que é "o melhor dos mundos", estas moças e rapazes e mães do movimento são mais articulados e gentis, civilizados e solidários que a maioria das pretensas damas com poder, por ai.
Com sorte até fazem uma reorganização boazinha no País; fazemos - que mães, professores e gays, gays professores, gays mães e gays pais - vamos lá, é para sentir orgulho e ajudar a encorpar a massa.
Dando tudo certo, este Feliciano raspará fora em dois tempos, sai com a corja que o usa como cortina de fumaça.
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