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terça-feira, 10 de abril de 2012

Ideais

Nos primeiros dias do ano, foram proclamadas as leis em todo o país de Kam; nos templos, pelo sumo Sacerdote; nas cidades principais de cada nomo, pelo Vizir; nas vilas, pelo chefe; nas guarnições, pelo Capitão dos Capitães; nos mares e nos rios, pelo Comandante do Navio; e na cidade Real, pelo Faraó.
No primeiro ano do meu reinado, eu mesma proclamei as leis para meu povo, dos degraus do grande pátio do palácio.
-Ouçam minha voz!
"Ninguém obstruirá o caminho de qualquer pessoa das Duas Terras que busque a sabedoria nos templos ou a justiça do Faraó.
"Todas as pessoas de Kam são compatriotas, e deverão fazer uma à outra o que fariam para um irmão amado.
"Ninguém recusará socorro ao doente nem comida ao faminto. Ninguém tomará o que não é seu por direito. Ninguém fará uma criança ficar com medo nem deixará o idoso sofrer por sua fraqueza, para não sentir a ira do Faraó, que é pai de todo o seu povo.
"Todos os que têm servos deverão tratá-los como gostariam de ser tratados; com justiça e compaixão. Todo servo, tanto numa casa como trabalhando nos campos, será digno de um bom senhor.
"Os homens que têm mulheres em casa as tratarão com amabilidade, para que elas sorriam ao ouvir seus passos e criem seus filhos com alegria. As mulheres que têm marido, irmãos ou pais, cuidarão para que sempre tenham mel em suas próprias bocas de modo que suas palavras mantenham a casa tranquila. Para que todos em suas casas se alegrem em compartilhá-las.
"Nenhum animal sofrerá crueldade, brutalidade ou negligência. Quem deixar um animal com inanição ficará sem se alimentar por doze dias para que compreenda o que é a fome, e conhecendo-a, não a ocasione a outros. Quem tiver um animal com ferimentos provocados por açoites ou arreios mal-ajustados receberá cinco chibatadas nos pés e cinco nas costas por cada animal negligenciado.
"Quem deixar suas plantas morrerem tendo água à disposição dará uma colheita inteira de suas terras para o Templo como um livre tributo, para que conheça a realidade da fome.
"Quem apanhar mais peixes do que é necessário e os deixar apodrecendo à margem do rio não poderá lançar sua rede por três meses.
"Os mercadores que mentirem a respeito de seus artigos e negociarem injustamente com quem não tem capacidade para perceber sua desonestidade não poderão negociar em Kam por seis meses. E se sua ofensa se repetir, suas posses serão divididas entre o povo e ficarão apenas com um pedaço de terra suficiente para plantar, provendo seu sustento com as próprias mãos e força.
"Qualquer oficial sob meu selo, vizir, fiscal de mercado, escriba ou supervisor que agir co desonestidade, traindo a palavra do Faraó, será banido de Kam.
"Quem não obedecer a essas leis descobrirá que o Faraó é o senhor de todos e verá que será tratado como tratou aos outros.
"Se tiverem dúvidas sobre a sabedoria da qualquer ação, perguntem a si mesmos: Se eu estivesse fazendo isso ao Faraó ou alguém pertencente a ele, continuaria a fazer? Se o coração de vocês disser sim, então tudo estará bem.
"Lembrem-se de que são meus filhos, e o que fizerem uns aos outros estarão fazendo a mim também. Não digam palavras que receiam ouvir-me dizer. Tratem seus filhos como se fossem filhos do meu corpo. Tratem seus animais como se fossem este leão a meus pés. Cuidem de suas plantas como se fossem do jardim real.
"Esforcem-se por chegar a hora em que possam dizer: Não há ninguém que peque, não há ninguém que sofra, não há ninguém que chore por alguma ação minha. 
Pois nisso está a sabedoria dos deuses e o desejo do Faraó para seu povo.

                        Extraído de O Faraó Alado, escrito por Joan Grant, 
Editora Pensamento: "A vida do Egito antigo 
durante a l Dinastia".

Foto: Escultura em cerâmica que fiz em 2005, 
pertence a coleção de Marcia Ferrarezi e Gringo: http://leluxehair.blogspot.com.br/

Coleta Seletiva no Rio de Janeiro e em São Paulo - A Elegância da Seriedade

No mês de março, acompanhei uma visita que que integrantes do CADES da Subprefeitura de Pinheiros fizeram a Cooperativa de coleta seletiva e reciclagem Viva Bem. Durante o encontro, a presidente da Viva Bem, Elma Miranda, salientou que a cooperativa é a única em São Paulo a aceitar isopor para a reciclagem. 
A Viva Bem desenvolve programas junto aos cooperativados visando prepará-los como agentes ambientais. Durante o encontro Elma ressaltou a importância da parceria com a USP, que preparará os cooperativados para trabalhar com lixo eletrônico, projeto para as novas instalações em um terreno na Água Branca, doado pela subprefeitura da Lapa.
Elma ministra palestras gratuitas, vale a pena, agende!
A cooperativa Viva Bem está localizada na Marginal Tiete, próximo à ponte Júlio de Mesquita Neto, na Avenida Embaixador Macedo Soares, 6000, na Vila Leopoldina - Lapa, fones 11 3833 9022 e 11 6649 -1539. 
O endereço eletrônico da cooperativa é: cooper.vavabem@ig.com.br


Já no Rio de Janeiro, a amiga Gilda Beltrame informa que a Regenero é a única empresa da cidade que recicla eletrônicos. A Regenero coleta e divide o lixo eletrônico: DVD Player, VHS Player, TV, PC, teclados, monitores, baterias, pilhas, celulares, etc... Agende a coleta pelo telefone 21 2502-6469 ou entregue o material eletrônico na Rua Aníbal Benévolo, 350, Cidade Nova -RJ
Em um dos galpões da Viva Bem, da esquerda para direita: Rossana Cerino (Subprefeitura de Pinheiros), Jane Penteado, Mario Pecoraro, Elma Miranda, Cecília Pereira(assessora do prefeito de Pinheiros, Cel. Sergio Teixeira Alves), Miriam Ito Tanaka (Presidente do CONSEG e ACI Pinheiros), Clélia Vieira, Fabrício Cobra Arbex e Marta (Secr. do Verde e do Meio Ambiente).

terça-feira, 3 de abril de 2012

Jornal Diário da Manhã - Erechim

Tirinha que fiz quando morava em frente ao Bosque Longines Malinóswky (em Erechim, RS) o Mato da Comissão, como também é chamado, em função de ter sido a área escolhida para a instalação da sede da comissão que distribuía terras aos imigrantes. É uma área de 17 hectares composta de árvores centenárias.
Esta tirinha foi publicada na edição de 24 de outubro de 2002 e brinca co o reinante sotaque italiano local.

domingo, 25 de março de 2012

O Filósofo Sergio Cortella /CVP e Perturbando Luiz de Carvalho

Luiz de Carvalho na praça buscando a paz do domingo na brisa da tarde em sua cúpula sonora. 
O violoncelo rodava o vento, 
Gente ansiosa por um olhar, um abraço. chegando em Congonhas, 
uma digital era a câmera. 
Uma gota de Luz fazendo a vida melhor. 
(Mirante da Lapa)
Para acessar a programação do Voluntariado , clique aqui: www.voluntariado.org.br

segunda-feira, 19 de março de 2012

Amor Real

     A rigor, família é uma instituição social que compreende indivíduos
ligados entre si por laços consangüíneos.
     A formação do grupo familiar tem como finalidade a edu­cação,
implicando, porém, outros tantos fatores como amor, aten­ção, compreensão,
coerência e, sobretudo, respeito à individualidade de cada componente do
instituto doméstico.
    Com o Espiritismo, porém, esse conceito de família se alarga, porque
os velhos padrões patriarcais, impositivos e machistas do passado, cedem
lugar a um clã familiar de visão mais ampla de vivência coletiva, dentro das
bases da reencarnação. Por admitir que os laços da parentela são
preexistentes à jornada atual, os preconceitos de cor, de sangue, sociais e
afetivos caem por terra, em face da possibilidade de as almas retornarem ao
mesmo domi­cílio, ocupando roupagens físicas conforme as necessidades
evolutivas.
    As afeições reais do espírito sobrevivem à destruição do corpo e
permanecem indissolúveis e eternas, nutrindo-se cada vez mais de mútuas
afinidades, enquanto que as atrações materiais, cujo único objetivo são as
ilusões passageiras e os interesses do orgulho, extinguem-se com a “causa
que os fez nascer”.
    Assim, vemos famílias que adotam a “eliminação quase total da vida
particular”. A atenção é focalizada de forma exclusiva no grupo familiar,
cujos integrantes vivem neuroticamente uns para os outros. Bloqueiam seus
direitos à própria vida, à liberdade de agir e de pensar e ao processo de
desenvolvimento espiritual, para se ocuparem de cuidados improdutivos e
alienatórios entre si. Vi­vem uns para os outros numa “simbiose doentia”.
    Os elementos que vivem presos a esse relacionamento de permuta egoísta
afirmam para si mesmos: “Se eu me sacrifico pelo outro, exijo que ele se
dedique a mim”. Não se trata de caridade, e sim de compromissos impostos
entre dois ou mais indivíduos de juntos viverem, visando ao “bem-estar
familiar”. Na verdade, não estão exercitando o discernimento necessário para
enxergar a autên­tica satisfação de cada um como pessoa. Não nos referimos aqui ao companheirismo afetivo, tão reconfortante e vital à família, mas a uma postura obrigatória pela qual indivíduos se vigiam e se encarceram reciprocamente.
    Encontramos também outras famílias que não se formaram por afeições
sinceras; fazem comparações e observam caracte­rísticas de outras famílias
que invejam e que buscam copiar a qual­quer custo: são as chamadas
“alpinistas sociais".
    Procuraram formar o lar afeiçoadas a modelos de elegân­cia e a
peculiaridades obstinadas de afetação social, moldando o recinto doméstico
ao que eles idealizam a seu bel-prazer como “chique”.
    Vestem-se à imagem dos outros, comparam carros, mó­veis, gostos e comidas; negam a cada membro, de forma nociva, a verdadeira vocação, tentando sempre copiar modos de viver que não condizem com suas reais motivações.
    Há ainda outras agremiações familiares denominadas “exi­bicionistas”, em que os membros do lar se associam para suprir a necessidade que nutrem de ser vistos, ouvidos, apreciados e admirados. Ajudam-se mutuamente, ressaltando uns a imagem dos ou­tros e focalizando áreas que podem ser valorizadas pelo social, como, por exemplo, a beleza física ou o recurso financeiro. As pessoas vaidosas desse tipo familiar, quando bem sucedidas ou
conceituadas, alimentam exibição sistemática diante dos outros, como forma
de compensação ao orgulho de que estão revestidas.
   Assim considerando, somente os laços de família formados em bases de fidelidade, amor, respeito e dedicação perdurarão pela Eter­nidade e serão cada vez mais fortalecidos. 

    Os espíritos simpáticos envolvidos nessas uniões usufruem indizível felicidade por estar juntos trabalhando para o seu progresso espiritual. “Quanto às pes­soas unidas pelo único móvel do interesse, elas não estão realmente em nada unidas uma à outra: a morte as separa sobre a
Terra e no céu”.



  “... Afeição real de alma a alma, a única que sobrevive à destruição
do corpo, porque os seres que não se unem neste mundo senão pelos sentidos não têm nenhum motivo para se procurarem no mundo dos Espíritos. Não há de duráveis senão as afeições espirituais...” 
(Capítulo 4, item 18.) 




                                  Extraído de O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 4º item 18.
                         "Detalhes fazem a perfeição e a perfeição não é um detalhe."Michelangelo
                                                                         Recebido de Dé Doellinger/Mahavidya
Foto: Babel, óleo sobre tela, pintei há muito tempo , noutro milênio.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

John Nascimento- Quaresma

O Evangelho de hoje fala-nos do chamamento de Mateus (Levi) que era um cobrador de impostos e, portanto, considerado por todos como um pecador público. Mas Jesus chamou-o e todavia. “Ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu-O”. (Lc.5,28).
E, para além disso: “Levi ofereceu-lhe, em sua casa, um grande banquete e encontravam-se com ele, à mesa, grande número de publicanos e de outras pessoas”.(Lc, 5,29).
Ora, toda esta gente (os publicanos) era considerada como sendo pecadores e, como tal, isto causou gande escândalo aos fariseus e aos escribas, que eram considerados aqueles que cumpriam as leis e eram fiéis aos preceitos de Deus. Daí as suas reações: “Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo aos discípulos: Porque comeis e bebeis com os publicanos e pecadores ?”.(Lc.5,30).
Mas foi Jesus quem lhes respondeu, dizendo-lhes  :
- “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos, mas os pecadores, que Eu vim chamar ao arrependimento”.(Lc5,31-32).
E depois disto, seguiu-se uma saturada discussão sobre o Jejum. 
O chamamento de Mateus (Levi), que era considerado como pecador por ser cobrador de impostos, e a sua resposta pronta ao convite de Jesus,
“Segue-me”, é um “Programa de vida”. É uma conversão. Importa, porém, que a preocupação deste programa de vida  se instaure  com tal força na nossa consciência que, de meio se transforme em finalidade. Na verdade, qualquer que seja  a nossa programação quaresmal, ela tem de estar ao serviço duma única finalidade : A promoção do amor que vem de Deus e toma corpo nas nossas relações inter-pessoais. Esse deve ser o programa fundamental de toda a nossa existência  : Um serviço de amor, uma disponibilidade constante para escutar e acolher, uma decisão firme de servir e de dar, uma obediência atenta às inspirações do Espírito Santo.
A conversão que temos de fazer é só uma : Adotarmos aquelas atitudes existenciais, que nos colocam em melhor condição para refletirmos a paciência e a fidelidade do amor de Deus. É no coração daqueles que são fáceis ao amor, que o próprio Deus marca encontro com cada homem a quem chama à aliança consigo como fez com Mateus. Por isso, a nossa conversão tem valor missionário : Convertemo-nos para servir melhor este projeto de Deus e não para melhorarmos a nossa imagem pessoal. Devemos seguir o chamamento de Jesus, caminhar na Sua Luz todos os dias e confiar em que a nossa conversão seja uma resposta aos amáveis planos de Deus para a nossa vida.
imagens e texto recebidos de John Nascimento/Mahavidya

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Todos Somos Um

"Queridos amigos,
A vida deve ser celebrada, valorizada, pois é o nosso maior presente!
No entanto, quase  uma dezena de  jovens Irmãos nossos da etnia Karajá se suicidaram  nesse começo de ano.  E nesse ultimo fim de semana, um  adolescente com 14 anos da Aldeia Santa Isabel do Morro - Município de São Félix do Araguaia, Ilha do Bananal (Tocantins). As causas  estão sendo levantadas: a desesperança, pobreza, invasão do consumismo,  o consumo de bebidas alcoólicas, drogas... Enfim, nossa responsabilidade. 
Uma força tarefa está sendo acionada. 
Mas, podemos ajudar também enviando energia de alegria, conforto, amor, paz, esperança, coragem, verdade; perdão  a essas famílias enlutadas e esse povo irmão.
Proponho:
No dia 13 de fevereiro/2012, segunda que vem às 21 horas, onde vc estiver, junte-se com um grupo de amigos, ou sozinho... e celebre a vida!! 
Coloque música  de alguma etnia indígena e cante, dance e nessa vibração. 
Peça que seja tirado toda energia desqualificada que está comprometendo o povo Karajá. 
E depois envie energia de alegria, conforto, amor, paz, esperança, coragem, verdade; perdão para as crianças, jovens , idosos, mulheres, enfim as famílias que estão sofrendo com essa tragédia. A atuação deve acontecer em todas as dimensões.
Você pode  também orar, vibrar, rezar.... mas direcione a energia como um lazer para esse povo. É uma experiência, é um aprendizado, é uma caridade... é amor ao próximo!!
                                      Tânia Maria Ribeiro Cavalcante, Tocantins - Movimento Pela Vida 
                                                                                  (taniaiansa@gmail.com)"
carta recebida por reencaminhamento da amiga Mirtzi

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

EVANGELHO Jo 19, 28-37

Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: 
-Tenho sede. 
Estava ali um vaso cheio de vinagre. 
Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou. 
Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado –  os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 
Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. 
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 
Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. 
Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. 
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».
 Compreender a Palavra
Celebramos hoje a Festa das Cinco Chagas do Senhor. O que queremos celebrar é o Mistério da Paixão. Cristo salva-nos dando a vida na cruz que é “loucura para os que se perdem mas, para os que se salvam, para nós, é força de Deus”. 
Estamos, portanto, a celebrar a nossa salvação. As marcas dos cravos e da lança são para nós motivo de louvor.
O evangelho é retirado da narração da paixão descrita por João. Os pormenores pretendem mostrar que Jesus no mistério da sua morte cumpre tudo o que estava dito pelos profetas. Jesus leva à total realização as promessas de salvação anunciadas por Deus através dos profetas.
 Meditar a Palavra
Do lado aberto de Jesus saiu sangue e água. 
Esta afirmação de João no seu evangelho mostra-me Cristo como a fonte de água viva. De facto a minha vida está toda empenhada no mistério da água saída do lado de Jesus. 
Do mistério da sua paixão nasce a água com que fui purificado, lavado e transformado na minha natureza carnal para participar da natureza divina. 
No mistério da morte de Cristo encontra sentido o meu batismo, princípio de vida nova e eterna, que me faz herdeiro do reino inaugurado por Cristo na sua ressurreição. 
O meu coração fica apreensivo diante de tanto amor e a minha alma deseja contemplar este mistério no silêncio sagrado do meu santuário interior.
 Rezar a Palavra
Guarda-me no Teu lado Senhor e banha-me na Tua água purificadora. 
Branqueia a minha veste no teu sangue e deixa-me participar no teu banquete eterno. Reconhece em mim, aquele por quem derramaste o teu sangue e não tenhas em conta o meu pecado, nem fixes os teus olhos sobre a minha culpa. 
Que a tua misericórdia seja a minha proteção e o teu amor o meu advogado.
 Compromisso
O meu coração guarda silêncio diante das Chagas de Cristo.
                                                                          recebido de Mariano Araújo/Mahavidya

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Cão e o Cavalo

      "No tempo do Rei Moabar havia em Babilônia um jovem chamado Zadig, cuja boa índole se aprimorara pela educação. Embora moço e rico, sabia moderar as paixões  e não afetava nada, não pretendia ter sempre razão, e costumava respeitar a fraqueza dos homens." 
      Zadig casou-se com Azora, que se tornara dificílima de trato, enquanto ele pensava: Ninguém pode ser mais feliz do que um filósofo que lê nesse grande livro colocado por Deus ante nossos olhos. É dono das verdades que descobre; alimenta e eleva a alma; vive tranquilo; nada teme dos homens, e sua extremosa mulher não pode feri-lo.
      Penetrado dessas idéias, retirou-se para uma casa de campo à margem do Eufrates. Ali, não se preocupava ele em calcular quantas polegadas de água corriam por segundo sob os arcos de uma ponte, ou se caía mais uma linha cúbica de chuva no mês do rato do que no mês do carneiro. Não planejava fabricar seda com as teias de aranha, nem porcelana com cacos de garrafa; mas dedicou-se principalmente ao estudo dos animais e das plantas, adquirindo em breve uma agudeza que lhe desvendava mil diferenças onde os outros não viam mais que uniformidade.
      Ora, estando um dia a passear pelas proximidades de um bosque, acorreu-lhe ao encontro um eunuco da rainha, seguido de vários oficiais que demonstravam a maior inquietação e vagavam de um lado para outro, como pessoas desorientadas que houvessem perdido a maior preciosidade deste mundo.
- Jovem - disse-lhe o primeiro eunuco -, não viste o cão da rainha?
- É uma cadela, e não um cão - respondeu Zadig discretamente.
- Tens razão - tornou o primeiro eunuco.
- É caçadeira, e por sinal que muito pequena - acrescentou Zadig. Deu cria há pouco; manqueja da pata dianteira esquerda e tem orelhas muito compridas.
-Viste-a então - perguntou o primeiro eunuco, esbaforido.
- Não - respondeu Zadig -, nunca a vi na minha vida, nem nunca soube se a rainha tinha ou não uma cadela.
       Ao mesmo tempo, por um capricho comum da sorte, sucedeu escapar das mãos de um palafreneiro o mais belo exemplar das cavalariças do rei, extraviando-se nos campos de Babilônia. O monteiro-mor e todos os outros oficiais corriam à sua procura com mais inquietação do que o primeiro eunuco em busca da cadela. O monteiro-mor dirigiu-se a Zadig e perguntou-lhe, se por acaso não vira o cavalo do rei.
- É - respondeu Zadig - o cavalo de melhor galope; tem cinco pés de altura e os cascos pequenos; a cauda mede três pés e meio de comprimento; o freio é de ouro de vinte e três quilates; e as ferraduras de prata de onze denários.
_ Que direção tomou ele? Onde está? - perguntou o monteiro-mor.
- Não o vi - respondeu Zadig - nem nunca ouvi falar nele.
      O monteiro-mor e o primeiro eunuco não tiveram mais dúvidas de que Zadig houvesse roubado o cavalo do rei e a cadela da rainha; levaram-no perante a assembléia do grande desterham, que o condenou ao knut e a passar o resto da vida na Sibéria. Mal se encerrava o julgamento, foram encontrados o cavalo e a cadela. Viram-se os juízes na dolorosa obrigação de reformar sua sentença; mas condenaram Zadig a desembolsar quatrocentas onças de ouro, por haver dito que não vira o que tinha visto. Primeiro foi preciso pagar a multa; depois concedeam-lhe licença para se defender perante o conselho do grande desterham. Zadig falou nos seguintes termos:
_ Estrelas de justiça, abismos de ciência, espelhos da verdade, ó vós que tendes o peso do chumbo, a dureza do ferro, o fulgor do diamante e tanta afinidade com o ouro! Já que me é dado falar perante esta augusta assembléia, juro-vos por Orosmade que jamais vi a respeitável cadela da rainha, nem o sagrado cavalo do rei dos reis. Eis o que me aconteceu. Passeava eu pelas cercanias do bosque onde vim a encontrar o venerável eunuco e o ilustríssimo monteiro-mor, quando vi na areia as pegadas de um animal. Descobri facilmente que eram as de um cão pequeno. Sulcos leves e longos, impressos nos montículos de areia, por entre os traços das patas, revelaram-me que se tratava de uma cadela cujas tetas estavam pendentes e que portanto não fazia muito que dera cria. Outras marcas em sentido diferente, que sempre se mostravam no solo ao lado das patas dianteiras, denotavam que o animal tinha orelhas muito compridas; e, como notei que o chão era sempre manos amolgado por uma das patas que pelas três outras, compreendi que que o animal de nossa augusta rainha manquejava um pouco, se assim posso me exprimir. Quanto ao cavalo do rei dos reis, seja-vos cientificado que, passeando pelos caminhos do referido bosque, divisei marcas de ferradura que se achavam todas em igual distância.
"Eis aqui", considerei, "um cavalo que tem galope perfeito." A poeira dos troncos, num estreito caminho de sete pés de largura, fora levemente removida á esquerda e a à direita, a três pés e meio do centro da estrada.
"Esse cavalo", disse eu comigo, "tem uma cauda de três pés e meio, a qual, movendo-se para um lado e outro, varreu assim a poeira dos troncos." Vi debaixo das árvores, que formavam um dossel de cinco pés de altura, algumas folhas recém tombadas, e concluí que o cavalo lhes tocara com a cabeça, e que tinha, portanto, cinco pés de altura. quanto ao freio, deve ser de ouro de vinte e três quilates; pois ele lhe esfregou a parte externa contra certa pedra que eu identifiquei como uma pedra de toque. E, enfim, pelas marcas que as ferraduras deixaram em pedras de outra espécie, descobri eu que era prata de onze denários.
     Todos os juízes pasmaram do profundo e sutil discernimento de Zadig, o que logo chegou aos ouvidos do rei e da rainha. Só se falava em Zadig nas antecâmaras, na câmara e no gabinete; e, embora vários magos opinassem que o deviam queimar como feiticeiro, ordenou o rei que lhe restituíssem as suas quatrocentas onças de ouro em que fôra multado. O escrivão, os meirinhos, os procuradores compareceram em grande pompa à presença de Zadig, para lhe entregar suas quatrocentas onças; apenas retiveram trezentas e noventa e oito para as custas do processo, e os seus ajudantes reclamaram gratificação.
     Zadig compreendeu como era às vezes perigoso ser demasiado sábio, e jurou consigo que, na próxima ocasião, nada diria do que acaso houvesse testemunhado.
     Essa oportunidade não se fez esperar. Um prisioneiro de estado, que fugira, passou pelas janelas de sua casa. Zadig, interrogado, nada respondeu; mas provaram-lhe que ele olhara pela janela. Foi multado, por esse crime, em quinhentas onças de ouro, e ele agradeceu a indulgência dos juízes, segundo o costume da Babilônia. "Como é lamentável, meu Deus," dizia ele consigo, "ir a gente passear num bosque por onde passaram a cadela da rainha,e o cavalo do rei! Que perigoso chegar à janela! E que difícil ser feliz nessa vida!"
                                   Extraído de "Contos", de Voltaire, Editora Abril, 
tradução de Mário Quintana
Foto que tirei na Estação Ciência/Lapa/2011

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nicks

"Quanto aos pecados cometidos por um crítico anônimo, a pessoa que publicou e redige uma coisa assim deve ser diretamente responsabilizada como se ela mesmo tivesse escrito a resenha; da mesma maneira que tronamos o mestre artesão responsável pelo trabalho malfeito de seus aprendizes. 
Além disso, deve-se lidar com aquele sujeito da maneira que seu ofício merece, sem a menor cerimônia.
-O anonimato é a canalhice literária contra a qual se deve proclamar: 
"Se você não quer, patife, assumir o que diz contra outras pessoas, cale sua boca difamadora!" 
-Uma resenha anônima, não tem mais autoridade do que uma carta anônima, e por isso deveria ser recebida com a mesma desconfiança. Ou será que o nome de uma pessoa que se presta a liderar uma autêntica societé anônima, deve ser tomado como garantia da veracidade de seus associados?"


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Foto: Vila Madalena, SP